31 de jan. de 2011

Quase Lúpus

Eu quase tive Lúpus. Como assim, "quase"? Meus leitores mais antigos sabem que desde sempre eu sinto muitas dores. Pois bem, são raros os dias em que eu não sinto nenhuma dorzinha sequer e são a maioria os dias em que eu sinto dor no joelho, na cabeça, na coluna (essa é campeã), na barriga, nos pés, pernas, pescoço, olhos, dedos, pulso, ouvido, ou mesmo que sinta tontura, náusea, labirintite, que tenha queda de pressão arterial, ataque de sono (ou insônia), excesso de gases, inchaço, manchas roxas nas pernas ou barriga, retenção de líquido, cólicas mil, e mais isso, e mais aquilo e por aí vai.



 Mas, calma. Eu levo uma vida normal. Sinto uma dessas coisas de cada vez, às vezes três, e às vezes nenhuma. Daí, depois de dois anos com uma hematúria (perda de hemácias na urina), muitos exames urológicos negativos, uns exames de sangue positivos, fui a um reumatologista. Tenho alguns sintomas e resultados que sugerem Lúpus Eritematoso Sistêmico, ou LES, e também Síndrome do Anticorpo Fosfolípide (SAF). O reumatologista fez jus aos trezentos reais que pagamos pela consulta, e no final de tudo disse que eu não tenho LES, e sim, FIBROMIALGIA. Tenho SAF, mas está inativa e não convém mexer com ela. Me ordenou que parasse com todos os remédios que eu tomo atualmente (e são muitos, muitos mesmo), com exceção de um antidepressivo e me receitou dois outros, um de uso contínuo e outro apenas para os momentos das dores fortes. Ahhh.... quem sabe o que é Lúpus entende como eu fiquei feliz. Sentir-se doente, fraca, sofrer com dores terríveis e inexplicáveis, e ainda por cima ser mal compreendida e mal interpretada é terrível. Mas ter Lúpus é ainda pior. Um dia desses vou postar algo sobre Lúpus para que vocês saibam do que eu estou falando. Bem, mas agora o negócio é FIBROMIALGIA e eu estou feliz por enfim ter um nome para o que eu sinto. Não é feliz por ter doença.... não mesmo. A doença eu já tinha, mas um bando e meio de gente achava que eu era hipocondríaca ou que tinha uma grave mania de doença.  Sinto-me explicada e apoiada, sinto que entupi a boca de muita gente e é essa parte que me deixa feliz. O mais importante é a possibilidade de melhorar, de controlar a dor, de sentir alívio e não me sentir devorada por ela(s). Vou, enfim, fazer uma atividade física diária, como recomendou o médico, pois isso vai me ajudar muito nesse processo. Já retirei todos os comprimidos da bolsa e vou ficar orgulhosa quando alguém me pedir um remédio para dor de cabeça e eu puder dizer: - "Não tenho nenhum remédio aqui".

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