12 de fev. de 2011

Deixar para depois.

Em todas as relações que travamos, cultivamos, mantemos com as pessoas enfrentamos algum tipo de dificuldade, por menor que seja, e a principal causa de desentendimentos é a falha ou falta de comunicação.
No casamento, é claro, não é diferente, especialmente no início, quando ainda estamos nos adaptando a todas as novidades que despencam em nossa vida.

Temos que aceitar as diferenças e encontrar a melhor maneira de conviver com elas. Mas quando as diferenças são muitas ou grandes e a negociação é fraca ou ineficiente problemas vão surgindo a cada dia, cada hora, a cada pensamento. Você se irrita com algo que o outro faça ou diga, ou com algo que se imponha à nova rotina, e age como ACHA que deve.

Uma forte tendência dos inseguros (aqueles com problemas de autoestima baixa) é a anulação. A criatura pensa que o incômodo é tão insignifcante que não vale a pena quebrar a harmonia para tratá-lo. Muito mais grave é quando já se identificou que falar de coisas assim quase sempre causa uma discussão, um aborrecimento (olha a mal-bendita comunicação falhando), e aí você evita falar para não causar uma briga (ó, ilusão).

Eu cometi muitos erros nos primeiros meses de casada, e um deles foi esse. Consertar isso hoje.... não sei se é possível, sem causar ainda mais dor e desentendimento. Pedir (cobrar a promessa de namoro) ajuda na cozinha, continuar a frequentar sua igreja preferida, sair para caminhar mesmo que o outro não queira ir, até mesmo escolher livremente a altura e a cor do sapato que usa, aff, e quando isso se torna um problema a gente vai deixando pra lá, pensando que é uma coisa tão pequena, facilmente tolerável.

Mas faça as contas junto comigo: 1 coisinha + 1 coisinha = 2 coisinhas; 2 coisinhas + 2 coisinhas = 4 coisinhas, e assim por diante. Um dia você acorda e percebe que a areia que você varreu para os cantos já está de volta ao meio da casa porque os cantos não cabem mais. Acredite em mim, o saco das coisinhas explode um dia, e lança merda para todos os lados, com a força dos propulsores da raiva, mágoa, ira, ressentimento, frustração, decepção e etc. Consertar os estragos que uma coisa dessas causa pode levar muito tempo e, pior, pode não dar certo.

Eu já explodi algumas vezes e disse coisas que não gostaria de ter dito. Mas aí vem outra questão: quando estamos bêbados ou com raiva dizemos a verdade que escondemos (aprisionada por filtros ou sensos inconscientes) ou somos levados pela situação, pela carga emocional, pela autodefesa instintiva e blá-blá-blá?? Perguntei à minha psicológa um dia desses e ela disse que tem um pouco de cada coisa, que a linha de separação dos dois argumentos é muito tênue (Foi isso mesmo, Mariana?).O fato é que PALAVRA DITA NÃO VOLTA ATRÁS, e você pode até pedir desculpas, perdões, mas aquilo vai ficar gravado no coração da outra pessoa, entalhado como nas tábuas dos dez mandamentos (ô drama!) e pronto. Se a pessoa é um ser elevado não vai passar a vida sentindo o fogo ardente das ofensas ditas, mas se for um mortalzinho qualquer, como eu e você, vez ou outra vai se lembrar disso, e a-í a coisa PODE ficar difícil.

Faça uma coisa: seja com colegas de trabalho, mãe, pai, irmão, namorado, marido, filho, NÃO GUARDE AS COISAS RUINS, NÃO DEIXE PRA DEPOIS, NUNCA PENSE QUE PODE TOLERAR ALGO QUE TE INCOMODA E JOGUE EMBAIXO DO TAPETE. Mantenha a saúde dos seus relacionamentos e assim não tenha uma coisa presa na garganta que certamente vai ofender e ferir quando você vomitar. Isso já é um grande passo rumo à harmonia e felicidade.

Se você, criatura inferior como eu, conseguir fazer isso, me escreva e me ensine como se faz.

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