Estou eu aqui, levando esse sol infernal sobre a cabeça, nos poros, nos olhos, vislumbrando essa paisagem acinzentada. Hoje foi o dia mais quente desde que cheguei. Não dava pra saber de que direção vinha o calor, se das telhas de amianto que cobrem a casa, se da lataria da caminhonete estacionada na entrada, se das paredes que recebem o sol vespertino. O fato é que eu rodei vários lugares diferentes, sentei no chão, pelos cantos, tomei muita, muita água, e acabei desatando num choro compulsivo porque estava realmente passando mal de tanto calor. Faz alguns dias que a crise de abstinência piorou, a minha crise pela falta do meu (ex)marido. (Ainda não quero e não vou dizer ex) Sabe, mais um pouco e se eu fosse um tanto mais descontrolada eu já teria comprado as passagens e ido implorar para voltarmos. Bem, eu estou implorando para voltarmos, nos torpedos que mando quando a noite já é escura, nos e-mails que escrevo aos prantos e às pressas (usando o computador da casa de minha tia), sim eu tenho implorado. A vida é insuportável sem ele. Alguém tem vergonha de admitir isso? Eu não tenho. A vida sem ele é sem graça, é um buraco vazio, é uma queda num abismo sem fim. Eu estou falando e lembrando das noites que dormimos abraçados ouvindo a chuva no telhado, das manhãs em que tomamos café na cama, dos passeios tranquilos pelo parque, do som do seu violão, dos nossos olhares fitos um no outro, do nosso amor... Não, eu não estou pensando nas coisas ruins. Foram elas que nos separaram, que tiveram mais valor do que mereciam e não vou valorizá-las ainda mais. Eu estou em crise de abstinência, feito uma ferida aberta, chorando pelos cantos por uma migalha de esperança de estar com ele novamente, e nessa fase, quando eu sofro dessa maneira, ao ponto de ficar doente como estou desde que voltei para cá, ele apenas vai me ignorar e me humilhar. Sequer será meu amigo, sequer terá preocupação comigo, sequer terá piedade. Até piedade seria bom agora. Eu estou sem saber o que fazer porque o que sei que devo fazer é o que não quero. Ainda não quero.
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